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26/07/2017

Vice-prefeita de Salvador e possível pré-candidata do PV a Presidente da República veio a CG e concede entrevista exclusiva ao MS Repórter

domingo, 10 de novembro de 2013

 A entrevistada do MS Repórter dessa vez é a vice-prefeita da cidade de Salvador – BA, Célia Sacramento, que esteve em Campo Grande no mês passado para proferir uma palestra sobre contabilidade.

 

Célia Sacramento nasceu em 3 de julho de 1967, é paulista mas se mudou para Salvador ainda criança. Sua mãe fazia parte de uma associação do bairro onde moravam e lá se envolveu em movimentos sociais. Seu pai era sapateiro e juntamente com sua mãe, o objetivo era que os filhos fizessem faculdade.

 

Doutora em Engenharia da Produção e integrante do Partido Verde, hoje, a professora Célia Sacramento é uma das cotadas do Partido Verde a vaga da presidência da República, nas eleições do ano que vem, mas isso ainda não está definido, segundo ela. Acompanhe a entrevista onde Célia fala sobre empresas, educação, política e muito mais. Acompanhe.

 

MS Repórter - Como a senhora vê a mulher na contabilidade nos dias de hoje?

 

Célia Sacramento – Primeiro, hoje temos um número muito maior de mulheres na contabilidade, a cada dia que passa. Segundo, hoje a mulher tem um procedimento de fazer contabilidade totalmente diferente do homem, ela está preocupada em gerar informação para tomada de decisão, ela esta preocupada em evidenciar a estatística operacional do mundo dos negócios, as mulheres tem participado dos eventos de educação continuada, sempre procurando se qualificar para prestar um serviço de excelência, então hoje você vê um diferencial completo.

 

MS Repórter - A mulher no cenário mundial e no Brasil tem se tornado bastante evidenciada, se tornando até presidente da república, como a senhora vê esse perfil?

 

Célia Sacramento - No cenário geral as mulheres estão mais evidenciadas, em todas as áreas. Existe a mulher comerciante, a mulher que trabalha na indústria, a mulher que é de profissões historicamente milenar masculina como: engenheiras, tem mulheres na área médica, as mulheres estão em todas as áreas. Porém as pesquisas indicam que mesmo assim, em todas as áreas, as mulheres ainda ganham um terço a menos que os homens, então temos muito a conquistar. O fato de termos uma presidente mulher não significou um aumento no número de mulheres na política, ainda temos muitas poucas mulheres em algumas áreas. Só temos dez por cento de mulheres como senadoras, vereadoras. Então ainda é muito pouco e nós somos 52% da população brasileira, os outros 48 por cento nascem de nós, então nós mulheres precisamos fazer mudar nossa cultura para votamos em mulheres, olhar as propostas, incentivar outras mulheres a participar da política do pátrio poder, e participar como elas vêm participando. As mulheres participam de movimentos sociais, as mulheres tem o seu posicionamento, trabalham sempre e está no hora de estar no poder representando como presidente, como líder que a mulher tem se saído e a gente precisa fazer essa mudança.

 

MS Repórter - A senhora acha que isso se deve ao preconceito que ainda existe no Brasil?

 

Célia Sacramento - Sem dúvida nenhuma. O Brasil é um país machista e não viabiliza o crescimento e desenvolvimento das mulheres na política e a gente precisa investir mais nisso.

 

MS Repórter - Esse preconceito tem atrapalhado não só no trabalho mais também dentro de casa, como a senhora vê a mulher que trabalha, estuda e cuida do lar e sofre preconceito do marido?

 

Célia Sacramento - Na verdade a mulher agora tem a tripla jornada. Ela trabalha o dia inteiro, ela tem que estudar, ela chega em casa de madrugada as vezes pra fazer alimentação para o outro dia, pra lavar roupa e outras tarefas. Então as mulheres estão a cada dia mais exploradas e o que é pior ainda sofrendo violência doméstica. A cada 5 minutos morre uma mulher, a cada três minutos uma mulher sofre violência. Todos os estados do Brasil lideram o ranking de violência contra a mulher. E agora, a partir da lei Maria da penha, nós conseguimos dar uma freada e as mulheres estão denunciando, a cada dia que passa aumentam o número de mulheres que denunciam, porque a maioria das mulheres se calavam. Há muito ainda a percorrer, não é fácil, mas nós temos que erradicar a violência contra a mulher, temos que acabar com isso.

 

MS Repórter - E como a senhora acha que a gente pode mudar esse cenário?

 

Célia Sacramento - Primeiro denunciando. Diziam que problema de mulher ninguém mete a colher. Mete a colher não, o problema de briga entre marido e mulher, a mulher tem que colocar na cadeia., tem que denunciar, os homens tem que saber, não é para prender todos os homens não, mas o homem tem que saber que entre um homem e uma mulher, só quem bate é o coração. Não pode haver a violência, se o relacionamento não deu, tem que se separar. Nós só vamos resolver isso denunciando, esclarecendo e educando nossos filhos, porque somos nós mulheres que somos responsáveis para que eles não repitam o que os pais deles fizeram. Muitos homens batem em suas esposas porque viram o pai batendo na mãe. Então nós temos que educar e falar não é porque o seu pai fez isso que você vai fazer também. Devemos falar ‘meu filho se você se relacionar com uma mulher onde haja conflito, se separe dela mas não cometa violência’.

 

MS Repórter - Falando agora de transparência nas contas públicas, o que a senhora pensa a respeito desse novo cenário que hoje tem sido incentivado?

 

Célia Sacramento - Olha incentivado não, hoje é uma obrigação legal. A lei exigindo a transparência. A transparência gera combate a corrupção, controle, prestação de contas. Eu sou vice-prefeita da cidade de Salvador e entre cinco itens que eu conversei com o prefeito antes de fazer a aliança, eu disse para ele que acredito no meio ambiente como desenvolvimento sustentável, respeito a todas as formas de diversidades sexual, cultural e religiosa, nós temos que respeitar o outro pelo que ele é e não em função da cor da pele, em função da opção religiosa, em função da opção sexual. Eu acredito na educação como fator de transformação, principalmente gestão pública com prática de governança corporativa, transparência, prestação de contas, responsabilidade, controle, então essa é a hora e a vez de nós da contabilidade mostrarmos como se combate a corrupção, não dá pra viver num país com alta carga tributária dessa e do outro lado o nosso dinheiro indo pelo ralo, nos bolsos daqueles que tem a responsabilidade de gerir o nosso dinheiro.

 

MS Repórter - Como a senhora acha que a imprensa pode mostrar isso de uma forma mais clara para a população, pois a contabilidade é um tema difícil?

 

Célia Sacramento - Eu acho que os meios de comunicação devem dizer ‘olha pessoal a única área do conhecimento capaz de retratar a realidade física e operacional de tudo que acontece no mundo dos negócios da área pública, privada ou terceiro setor é a contabilidade’, desde que a informação chegue. Então se hoje tem a nota fiscal eletrônica, se hoje tem sistema público de escrituração digital, basta apenas que tudo seja integrado para que a informação chegue imediatamente pra quem de direito, com o uso máximo dos recursos tecnológicos e aí nos vamos ver a contabilidade falando. Hoje nós pagamos uma alta carga tributária e o número de empresários que sonegam impostos é muito grande. Mas esses empresários poderiam dizer ‘olhe eu vou pagar todos os tributos exatamente para mostrar que essa carga tributária é alta e inviabiliza o meu negócio’. Muitos empresários têm como desculpa não pagar o tributo porque inviabiliza o negócio. Ele não pode fazer isso porque pagar o tributo é uma obrigação legal, na verdade ele tem que evidenciar isso e mostrar ‘olha aqui se eu pagar esse tributo eu não consigo pagar o funcionário, vocês estão vendo que tem que reduzir a carga tributária’. A contabilidade é inclusive para ajudar a demonstrar que é preciso reduzir a carga tributária para o empresário.

 

MS Repórter - A senhora acha que pode ter um movimento dos empresários do Brasil para que essa carga tributária diminua?

 

Célia Sacramento - Sem dúvida nenhuma. E esse movimento começa com o registro de tudo, o empresariado precisa evidenciar tudo e mostrar que não é justo. As pesquisas estão dizendo que a grande maioria das empresas brasileiras são as pequenas e médias, com menos de 20 funcionários. Quase 70% das empresas brasileiras têm menos de 20 funcionários e a carga tributária dessas empresas é muito grande e isso a gente precisa combater, mas a maioria desses empresários preferem sonegar, e se sonega ele inviabiliza que se saiba a realidade, daí fica esse confronto entre ele que sonegou e governo que quer arrecadar.  Eu defendo a tese de que a carga tributária precisa ser evidenciada, precisa se mostrar ‘olha se o empresário faturar X e ele pagar certinho os seus funcionários considerando as férias ele fica com Y, e não vale a pena. Então o empresário tem que ser motivado a manter o negócio, a viabilizar o crescimento, o desenvolvimento, a produtividade, a inovação tecnológica e para isso a carga tributária tem que ser reduzida e o movimento que o empresariado precisa fazer é a transparência, é mostrando mesmo a realidade. Podem também fazer simulações ‘olha meu negócio é esse aqui se eu faturar X pagasse Y para funcionário, Z para carga tributária, menos o custo ia ficar isso aqui, mas está correto?’ É melhor então aplicar na poupança.

 

MS Repórter - Com relação a Educação, como a senhora vê a escola pública no Brasil hoje?

 

Célia Sacramento - Nossa. A escola pública as pesquisas evidenciam, não sou eu quem está dizendo, que a escola pública brasileira é uma das piores do mundo. Os professores não são valorizados, a escola não inova, a escola continua sendo a mesma, o quadro, o giz, o piloto e o aluno. A escola nos tempos atrás era o único local para a juventude e o estudante, captar, obter alguma informação, hoje não, hoje você tem diversos mecanismos de informação. Então o aluno chega na escola e vai além do professor, e nós precisamos mudar toda a forma de educação e ensino-aprendizagem isso sem falar na educação infantil. Ha uma carência muito grande de creches no Brasil todo. Eu fiz uma pesquisa lá em Salvador e fiquei estarrecida. De 100 % de crianças que precisam de creche em Salvador, tem para apenas 28% e dessas apenas 60% são públicas, 22% são comunitárias, os outros 72% das ficam em depósitos de crianças ou estão na casa da vovó, ou estão com uma vizinha tomando conta, ou com uma menina que alguém trouxe do interior pra tomar conta, ou estão com um irmãozinho que tem cinco, seis anos, tomando conta de um, dois ou três irmãos. Realmente é complicado, como nós queremos uma mudança do nosso quadro, da nossa realidade social, se nós não fazemos a nossa parte, que é fazer investimento na educação infantil. Passado esse período de creche, os meninos com seis ou sete anos vão para escola, só que a escola é só um turno e o outro turno as crianças ficam na rua e é onde pode aprender coisas do bem ou coisas ruins. Se aprenderem coisas ruins, com onze, doze ou treze anos, vão cometer pequenos delitos e a sociedade fica discutindo a redução da idade penal. Aí eu paro para analisar, quer discutir menor idade penal é porque vai ter dinheiro para construir cadeia, porque as cadeias que estão aí não estão dando para os presos atuais. Se tem dinheiro para construir cadeia, constrói creche, implanta educação em tempo integral, valoriza o professor, investimento pesado na educação é a base da transformação do nosso país, essa é a grande questão.

 

MS Repórter - A senhora está sendo cogitada como pré-candidata a presidência da república, como a senhora está vendo essa possibilidade?

 

Célia Sacramento - Esse não é o momento de decisão, de discussão do cenário político 2014. Eu sou do Partido Verde, e sem dúvida nenhuma eu quero ajudar o Partido Verde nesse momento de crescimento. O PV já apresentou proposta de candidatura própria na última eleição presidencial. Se o Partido Verde resolver oferecer de novo essa proposta para a sociedade brasileira, eu estou a disposição, mas no momento atual a minha intenção é ajudar o partido viabilizando palestras, eventos, seminários, construindo uma política pública decente lá em Salvador, como estou trabalhando muito com o prefeito ACM Neto. Estamos mudando a forma de fazer política na cidade com transparência, planejamento estratégico, com boas alianças para viabilizar inclusive o voto aberto na Câmara dos Vereadores. Então eu estou a disposição para que o PV quiser. Se o PV quiser, eu estou pré-candidata a presidência da república, se o PV quiser, eu estou pré-candidata a governadora, se o PV quiser, eu estou pré-candidata a deputada federal e se o PV quiser, eu não sou pré-candidata de nada, eu fico lá como vice-prefeita, a disposição do partido.

 

Por Leide Laura Meneses

  

Célia Sacramento - vice-prefeita de Salvador BA. Foto: Leide Laura Meneses
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