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11/12/2018
28 de fevereiro de 2018 às 10h15 | Economia

Produtividade na indústria em 2017 cresce 4,5%, aponta pesquisa da CNI

Resultado significa que indústrias produziram mais com menos horas trabalhadas

Por: G1
Divulgação/Mercedes Benz

O Brasil teve um aumento na produtividade de 4,5% em 2017, de acordo com a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo foca em indústria de transformação, considerada aquela que transforma matéria-prima em produto final. O bom resultado pode ser reflexo do momento de crise econômica vivida pelo país, que levou as empresas a enxugarem suas equipes e os funcionários restantes a trabalhar mais intensamente.

A pesquisa mostra que o volume produzido na indústria cresceu 2,2% no ano passado, enquanto o número médio de horas trabalhadas nas empresas caiu na mesma proporção. Na prática, isso significa que as empresas estão produzindo "mais com menos".

“Se a empresa fica mais eficiente, é possível produzir mais”, explica Renato da Fonseca, gerente de pesquisa e competitividade da CNI. Segundo a CNI, dois fatores levaram ao aumento da produtividade no ano passado.

Infraestrutura: As fábricas menos produtivas acabam fechando suas portas, com isso cai a proporção desse tipo de fábrica no país.

Trabalhadores: Durante a recessão, cortes de equipe são comuns e a tendência é que as empresas retenham os colaboradores mais produtivos e dispensem os que não produzem tanto.

Esse efeito está relacionado a busca pela sobrevivência, por parte das empresas, e pela manutenção do emprego, por parte dos trabalhadores, explicou Fonseca.

Segundo ele, esse comportamento é mais perceptível em momentos de crise, quando empresas precisam ser mais eficientes, reduzindo custos, aumentando assim a sua produtividade. Os funcionários também tendem a se esforçar mais em períodos recessivos.

Nos últimos 10 anos, a produtividade da indústria brasileiras cresceu 8,4%, segundo a CNI. No entanto, o Brasil ainda é um dos últimos países no ranking de competitividade da própria confederação da indústria.

Tecnologia

O avanço tecnológico impacta diretamente na produtividade dos negócios, segundo a pesquisa. Em momentos de crise, ela também assusta os funcionários que têm medo de perder seus empregos para as máquinas.

“Com as empresas ganhando mais mercado, o número de vendas aumenta. Se a empresa estiver mais competitiva, ela vai acabar contratando mais pessoas”, avalia o gerente da pesquisa.

“O que determina o número de empregos é muito mais se a economia está crescendo do que a tecnologia. A tecnologia determina qual emprego vai estar disponível”.

Apesar dos resultados positivos, o Brasil se mantém na penúltima colocação no ranking de competitividade feito pela CNI. O país ocupa a mesma posição desde 2012. Para Fonseca, para o Brasil chegar ao nível dos países desenvolvidos e até dos emergentes, é preciso manter o ritmo de crescimento.

“Considerando que o crescimento (da produtividade) foi gerado pela crise, que é a nossa suspeita, assim que a crise acabar, o efeito perde força. Se a gente não intensificar o investimento em inovação nas empresas, ou seja, trazendo novas tecnologias, novas máquinas, continuar fazendo os investimentos em gestão, a gente perde ritmo e não consegue alcançar esses países”.

Para a CNI, o chamado "custo-Brasil"l também é um fator decisivo para a competitividade das indústrias brasileiras. Altas cargas tributárias, alto custo com transporte são alguns pontos que encarem o preço final e atrapalham o produto brasileiro.

 “A gente tem empresas altamente competitivas, completamente robotizadas, com linha de produção elevada e trabalhadores bem eficientes. Elas podem ser muito produtivas, mas acabam não sendo competitivas, porque outros custos fora da empresa atrapalham. Isso desestimula as empresas a aumentar o investimento”, comenta Fonseca.

 

 

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