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26/07/2017

Jornalista Marcelo Tas fala sobre o papel da imprensa na educação do trânsito na Capital

domingo, 23 de junho de 2013

Em visita a Campo Grande no mês de maio, para uma palestra direcionada a jornalistas e estudantes da área, o jornalista e apresentador do CQC, Marcelo Tas falou sobre a importância e do papel desse profissional na educação do trânsito. Na ocasião ele deixou claro para os participantes que a imprensa tem papel fundamental para ajudar n diminuição desse trágico número muito expressivo de vítimas do trânsito.

Segundo ele a imprensa deve olhar e mostrar esse problema para o púbico de uma maneira diferente. “A principal dificuldade que eu vejo na mídia, no jornalismo, é olhar pra esse assunto, que é trágico, de um jeito novo, não é repetir a matéria d o ano passado falando em número de vítimas, é entender que isso é um drama humano e saber quem são essas pessoas, quem são os filhos, os pais, as tias, os avôs, etc.”, enfatizou Tas.

Confira a entrevista completa abaixo:

MS Repórter - Qual a importância da mídia no comportamento no trânsito?

Marcelo Tas- Olha a mídia é muito importante, em tudo que a gente vive em sociedade, mas no caso do trânsito eu acho que ela tem um papel muito importante, por que as transformações que a gente teve recentemente, especialmente no Brasil, são gigantescas e se a gente não entender que temos que mudar, que se reeducar, a gente não vai mudar uma situação trágica, que são 40 mil pessoas que morrem todos os anos no trânsito brasileiro. É mais do que qualquer guerra, e é uma guerra que geralmente a mídia não fala dela com a força que deveria.

Eu acredito que a gente tem que falar disso com muita clareza para o público. São três tsunamis japoneses. Quando teve tsunami japonês, a mídia mundial esperneou, gritou, falou, aqui no Brasil a gente tem três tsunamis de mortos, por conta do trânsito. A maior parte deles poderia ser evitado.

MS Repórter  - Qual seria a punição pra quem dirige embriagado, na sua opinião?

Marcelo Tas - A punição pra quem dirige embriagado pra mim, tem que ser a mesma punição pra quem comete um crime, por que quando você dirige embriagado, você tem consciência de que está muito próximo, alias você já cometeu um crime por estar dirigindo embriagado e você está muito próximo de um homicídio e isso no Brasil foi tratado até a pouco tempo de uma maneira muito frugal, muito tranquila. As pessoas têm uma sensação de impunidade.

MS Repórter  - Com relação ao projeto ‘Não Foi Acidente’. O que você acha que a gente tem que fazer?  Que a mídia em si tem que fazer pra tentar diminuir essa questão dos acidentes?

Marcelo Tas - Felizmente essa campanha não foi acidente, que nós apoiamos, não é uma campanha do CQC, é uma campanha que nós apoiamos e que ela já virou projeto de lei. Então é importante que todos os cidadãos saibam que o seu deputado, seu senador vai poder agora votar nesse projeto, que simplesmente endurece as leis pra quem mata no trânsito.

Tem muita gente que não sabe que tem uma arma, o automóvel são toneladas de aço ali que às vezes ele joga em cima de uma pessoa. Muitas vezes são acidentes que a gente sabe que não tem como evitar ou que são acidentes por conta do acaso, mas na maioria das vezes são acidentes que a gente pode evitar, principalmente relacionados a bebida, que é quase a metade. A gente não pode mais beber e pegar um carro, isso não quer dizer que a gente não possa beber, a gente não é contra festa, a gente não é contra balada, a gente é contra quem bebe e dirige.

MS Repórter  - Você acha que é possível fazer uma campanha contra a violência no trânsito com humor ou não? Você acha que tem que ser agressivo, tem que mostrar imagens de pessoas que morreram, de carros batidos ou não?

Marcelo Tas - Eu creio que é possível fazer vários tipos de campanhas, inclusive com humor. Às vezes o humor é uma linguagem que ela aproxima mais os jovens, principalmente, assuntos sérios. No CQC, por exemplo, a gente tratou desse assunto, a gente ficou muito preocupado, inclusive, na hora de tratar desse assunto com humor, que é um assunto muito sério, muito importante e a resposta que a gente teve foi muito grande e positiva. A gente percebeu que muitos jovens se sensibilizaram justamente quando a gente mostrou um lugar aonde às pessoas iam desaparecendo, a princípio você achava aquilo engraçado e depois dava aquele nó estomago.

Então eu acredito que o humor pode sim ser uma ferramenta pra chegar mais peto do coração das pessoas, que é isso que importa, você chegar perto mesmo do coração, fazer as pessoas entenderem que pra gente viver em paz, juntos, em sociedade, principalmente nas cidades, nas estradas, a gente tem que entender que a situação que vivemos hoje não pode continuar, é muito absurdo.

MS Repórter  - Na sua opinião, a imprensa está deixando a desejar, os jornalistas nessa questão de justamente se preocupar um pouco na questão da educação  do trânsito? Como você vê o comportamento da grande imprensa e do papel do jornalista nessa questão de difundir um pouco a questão de tirar da tragédia e ir para a educação?

Marcelo Tas – Quando eu falo da imprensa, eu gosto de me colocar dentro, por que senão fica fácil a gente só ficar criticando os colegas. A gente tem muita dificuldade, nós jornalistas, nós que trabalhamos na imprensa, de olhar para um assunto que já é tão antigo, com os olhos novos. Então, a principal dificuldade que eu vejo na mídia, no jornalismo, é olhar pra esse assunto, que é trágico, trânsito, morte, de um jeito novo, quer dizer, não é repetir a matéria que você fez o ano passado falando que não sei quantas pessoas morreras, não é só despejando estatísticas, mas é entender que isso é um drama humano, quem são essas pessoas, quem são os filhos, os pais, as tias, os avôs, os padrinhos.

Foi o que aconteceu na campanha ‘Não foi Acidente’. Na verdade a gente deu visibilidade pra dois ou três casos e esses casos refletiram, eu creio, na mente de muita gente pelo Brasil, que já teve um primo, todos nós aqui, se sair perguntando, já tivemos um amigo, um primo, que morreu, ficou inválido, que ficou de cadeira de roda, por causa de um acidente. Então é legal a gente, o trabalho mais difícil do jornalista é esse, tocar a experiência humana de cada um de nós, tocar o coração e às vezes o humor pode ajudar, é uma chave, às vezes o drama pode ser outra forma. Eu não fico dizendo como cada um deve fazer, mas que a gente tem que falar desse assunto de outra maneira, eu não tenho duvida.

MS Repórter  - Qual a mensagem que você deixa para os jornalistas?

Marcelo Tas – Eu estou muito feliz de estar aqui em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e perceber o interesse num assunto que na maior parte dos lugares que eu conheço, ta engatinhando, inclusive em São Paulo. Em São Paulo a gente tem um jeito muito primitivo de lidar com esse assunto, talvez até por conta da coisa esquizofrênica, estressada que a gente vive, uma cidade extremamente descontrolada pelo seu tamanho e tal.

 A gente é muito irresponsável na maneira com que a lidamos com esse assunto. Eu percebo aqui, por exemplo, que vocês já tratam do pedestre de uma maneira muito mais, com muito mais qualidade, do que o projeto que foi implantado em São Paulo. Foi implantado as presas e de uma maneira meio bagunçada, sem levar em conta o tamanho da cidade. Aqui eu percebo que é um projeto que está no início, mas que já tem um caminho, tem várias etapas, tem, enfim, alguém que está pensando nisso.

O que eu tenho a dizer para o jornalista é o seguinte? A gente está vivendo o momento no mundo, muito precioso. Quem é jornalista hoje está vivendo a era de ouro da comunicação, é uma era onde a gente tem muitas duvidas, os jornais vão sumir? As televisões vão mudar? Os rádios, mas eu creio que é uma era de muitas oportunidades, muito boas para os jornalistas, por que o público vai precisar de alguém que destrinche tanta informação, que dê prioridade e crie hierarquia, o que eu preciso ler hoje, é tanta coisa pra ler, o que eu tenho que ler primeiro. Então pra mim o trabalho do jornalista nunca foi tão necessário, como na era digital, na era que a gente vive atualmente.

Por Mariana Anjos

Foto: Mariana Rodrigues - MS Repórter
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