MSRepórter - Notícias de Campo Grande-MS
22/09/2017

Jornalista e colecionador de videogames da Capital fala de seu acervo com mais de 180 modelos

segunda, 22 de julho de 2013

Em muitas casas, ou talvez até maioria, é possível encontrar um videogame, principalmente em residências que tem crianças, de preferência do sexo masculino. Estes aparelhos eletrônicos são atualizados e modernizados com uma rapidez impressionante e os amantes pelos jogos querem sempre estar no mesmo nível de aprimoramento e dificuldade.

Mas para quem acha que este “brinquedo” só atrai as crianças, o site MS Repórter entrevistou o jornalista Cleidson Lima, que concilia sua carreira profissional com a de colecionador de videogames. Para mensurar um pouco da intensidade de sua paixão pelos aparelhos, vale destacar que ele já recebeu a oferta de uma quantia boa em dinheiro pelo acervo de mais de 150 aparelhos e não aceitou. Confira a entrevista completa a seguir:

MS Repórter – Conta um pouco sobre os videogames e como eles estão presentes na casa dos brasileiros?

Cleidson - Em 2012, o Ibope fez uma pesquisa no Brasil, encomendada pela distribuidora NC Games, para verificar o potencial de mercado para o consumo de jogos no país. Segundo o estudo, 31% dos brasileiros têm um videogame em casa, o que dá cerca de 60 milhões de pessoas. Os resultados apontaram o Playstation 2 como console mais popular, seguido  do Xbox 360 e Playstation 3 quase empatados.

MS Repórter - Como começou sua paixão pelos videogames?

Cleidson - É natural que os videogames preferidos dos jogadores sejam os modelos atuais. Além dos campeões de vendas, como o Xbox 360 e PS3, há também muita procura pelo Nintendo Wii e portáteis, como o PS Vita e Nintendo 3DS.

No entanto, há jogadores que, embora acompanhem os lançamentos do mercado, não se desfazem dos antigos e acabam acumulando uma pequena coleção em casa. Outros vão além e decidem resgatar a história dos consoles, transformando sua casa em um verdadeiro museu.

Este é o meu caso, que com 40 anos de idade e há apenas cinco anos como colecionador, conto atualmente com um acervo com mais de 180 videogames, entre consoles e portáteis, de todas as épocas e gerações.

MS Repórter - Como é sua coleção e quais principais modelos do seu acervo?

Cleidson – Na minha coleção, entre os itens raros está o primeiro videogame doméstico do mundo: o Magnavox Odyssey, lançado em 1972, nos Estados Unidos. Este console foi criado pelo engenheiro Ralph Baer, que atualmente está com 90 anos. Ele não tinha som, só gerava imagens em preto e branco, os jogos não passavam de riscos e quadradinhos e trazia folhas de plástico (overlays) que deveriam ser colocadas no tubo de imagem da TV para dar impressão de um ambiente gráfico.

Mesmo com todas as limitações, este equipamento foi quem inaugurou o mercado de videogames, que em 2012, 40 anos depois, movimentou US$ 68 bilhões em todo o mundo. A coleção conta também com outros consoles raros, tais como o Microvision, de 1979 (primeiro videogame portátil a usar cartucho), o Atari Pong, de 1976 (primeiro console lançado pela Atari).

Além do Fairchild Channel F, de 1976 (primeiro videogame a usar cartuchos), o Nintendo Virtual Boy, de 1994 (considerado o primeiro videogame 3D do mundo), o Vectrex (console que trazia imagens vetoriais e já vinha com o monitor acoplado) ou o quase desconhecido Action Max, de 1987, que estranhamente necessitava de um videocassete para rodar seus jogos em fitas.

Entre as raridades, a coleção traz dezenas de consoles que foram campeões de vendas durante décadas e hoje fazem parte da lembrança de muitos jogadores. Na lista estão clássicos como o Telejogo Philco Ford, de 1977 (primeiro videogame fabricado no Brasil), o Atari 2600 (1977), Nintendinho 8 bits (1985), Sega Master System (1985), Mega Drive (1988) e muitos outros.

MS Repórter – Notícias já foram publicadas em que dizia que você teria recebido uma boa quantia por sua coleção e não aceitou? Por quê?

Cleidson - A coleção não tem preço e meu objetivo é criar o primeiro museu do videogame no país para que crianças e jovens possam conhecer os ancestrais com Xbox Kinect, Wii U e PS Vita. Enquanto este sonho não se concretiza, uma vez por ano realizo o Campo Grande Game Show, um evento gratuito, realizado no Shopping Norte Sul Plaza.

Neste evento, os visitantes têm a oportunidade não só de conhecer a coleção, como também jogar alguns clássicos dos anos 80 e 90, participar de campeonatos de futebol digital, aprender conceitos básicos de desenvolvimento de games em oficinas gratuitas, disputar corridas em simuladores, concorrer em concursos de cosplayers, entre outros.

MS Repórter - Já tem data para o próximo Campo Grande Game Show? E tem mais algum projeto seu relacionado a esta paixão?

Cleidson – Já tem sim, no ano que vem, em 2014, a quarta edição do evento acontecerá no período de 11 a 26 de janeiro. Os detalhes serão divulgados em breve. Paralelamente, pretendo também lançar o Almanaque do Videogame - O Guia do Colecionador,  um trabalho de pesquisa de três anos que resultará em mais de 300 páginas de textos e fotos de consoles lançados no mundo inteiro nos últimos 40 anos. Mesmo ainda em produção, o livro já tem mais de 400 consoles relacionados.

MS Repórter - Como faz para conciliar o trabalho de jornalista com esses eventos de sua coleção?

Cleidson - Conciliar o trabalho é fácil. Os eventos ainda não são tão frequentes e, quando fazemos o que gostamos, há uma motivação a mais.

Por Mariana Anjos

Foto: Arquivo Pessoal
Comente esta Entrevista
Outras entrevistas