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25/07/2017
07 de novembro de 2014 às 15h17 | Política

Índia acusada de praticar bruxaria é torturada e morta no Paraguai

O crime aconteceu na aldeia de Tahehyi

Por: Mariana Rodrigues/Informações Terra

 Uma mulher acusada de praticar bruxaria foi torturada e morta, no Paraguai, informaram os jornais ABC Color e o Daily Mail. A índia Adolfina Ocampos, de 45 anos, foi morta pelos membros do grupo étnico Mbya Guarani depois de ter sido condenada à morte pelo líder da comunidade.

O crime aconteceu na aldeia de Tahehyi, localizada a cerca de 290 quilômetros ao norte da capital do País, Assunção. Os líderes indígenas Bernardo Benítez e Francisco Garcete admitiram que torturaram a mulher na semana passada e que no último sábado, a levaram a um córrego, onde foi afogada, e em seguida, queimada.

Fany Aguilera, a promotora local, considerou dez pessoas do vilarejo que admitiram ter matado a vítima culpadas pelo crime de homicídio.

Bernardo Benitez, disse que Adolfina foi acusada de bruxaria depois que sua irmã, Sergia, ficou doente, há um ano.

Como o estado de saúde da mulher não melhorou, Adolfina Ocampos foi levada de Assunção para que dentro de um mês "removesse a magia". Como isso não aconteceu, a vítima foi torturada e assassinada pelo grupo.

A Agência de Refugiados da ONU estima que milhares de pessoas em todo o mundo sejam acusadas de bruxaria todos os anos. Elas são, geralmente, abusadas, retiradas de suas famílias e comunidades, e em alguns casos, assassinadas. Ainda assim, Jose Zanardini, um padre e antropólogo italiano, conta que o caso registrado no Paraguai é incomum. "Eu trabalho no Paraguai há 40 anos e não me lembro de um episódio semelhante, de execução por feitiçaria. A morte dessa mulher é isolada e fora do comum no que diz respeito à coexistência dos 20 diferentes grupos indígenas paraguaios. Em geral, os índios costumam ser tranquilos e tolerantes".

A agência estatal de proteção aos povos indígenas comunicou na última quarta-feira que "embora as comunidades indígenas sejam regidas pelo sistema normativo que se fundamenta em seus costumes, seus atos não podem violar os direitos constitucionais de respeitar a vida e a liberdade das pessoas".

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