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22/09/2017

Escritora engajada, Rosemari Gindri acredita na leitura para educar e conta sobre novas obras

segunda, 28 de outubro de 2013

Encerrando o Mês das Crianças e para celebrar o Dia Nacional do Livro, comemorado no dia 29 de outubro, dia do ano de 1810 em que o Brasil ganhou a sua primeira biblioteca. O MS REPÓRTER entrevistou a psicoterapeuta aposentada e escritora que representou o Brasil no Salão do Livro de Paris em 2012, com duas obras, Rosemari Gindri.

Ela cursou Letras no Rio Grande do Sul, na Faculdade de Santa Maria, veio para Campo Grande na época que ainda era Mato Grosso e cursou Psicologia na antiga FUCMT, onde fez um estágio direcionado para adultos. Há 25 anos atuando na área da psicologia, Rosemari já foi professora na rede particular e pública e coordenadora do Colégio Dom Bosco, em Campo Grande. Atualmente é membro da União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS) e engatou na Literatura primeiro com livros adultos e recentemente na área infantil.

Na entrevista ela garante que atuar na área da psicologia ajudou a lidar com a literatura facilmente e conta alguns detalhes da nova obra direcionada para crianças. Ela acredita que falta estímula das escolas municipais para leitura já que ela também ministra palestras em escolas e outras instituições. Rosemari é engajada em trabalhos sociais de incentivo à literatura. Considera difícil também o acesso a cultura na Capital justificando a presença de poucas pessoas no Café Cultural que participou. "Se as famílias tivessem o hábito de ler à noite ajudaria na educação das crianças" ressalta.

Os dois primeiros livros “Bela Adormecida, Mulher Adormecida” (Editora Life - 2009 ) e “Morte, Vida e Sonhos” (Editora Life - 2010) foram exibidos na França. “O primeiro livro é praticamente uma biografia e também meu aprendizado como psicóloga, é direcionada para um público feminino” explica. Ela informa que tem pouquíssimos exemplares, e não vai querer vender mais, nem fazer a 3ª Edição: “Porque a gente vai evoluindo como escritora, e parece que é um retrocesso”.

"O segundo livro “Morte, Vida e Sonhos” é um romance bem denso, tem 26 personagens e aborda também as relações familiares, a mãe e filha, as relações dentro do casamento. A diferença do meu romance é que ele é de suspense psicológico, vai sendo desvendado no decorrer do relato a vida dos personagens, está tendo uma aceitação muito grande” conta ela. Rosemari fala ainda sobre o último livro e primeiro infantil, “As Crianças e a Renovação da Terra”.

MS Repórter - Você teve dificuldade em mudar o foco, já que você estava acostumada com um foco adulto, para o público infantil?

Rosemari - Eu não vejo dificuldade, a minha escrita é muito por inspiração, nesse último livro “As Crianças e a Renovação da Terra” eu sentei com a intenção de escrever um livro infantil e levantei com o livro pronto. Eu fiz alguns retoques posteriores para dar uma ênfase mais ecológica e aparentemente ele é um livro místico, mas foi catalogado como ecologia e meio-ambiente. No livro, os anjos vêm para salvar o planeta, já vêm preparado porque sabem o que querem e se identificam com a luz azul, um anjo reconhece o outro e as outras pessoas têm uma vaga ideia.

Eu não vejo dificuldade nenhuma de escrever para um determinada categoria, eu escrevi posteriormente uma fábula que é para crianças menores, eu vi uma fábula sobre o rei da Espanha que se perdeu numa caçada, era publicado que ele participava de um movimento em defesa da fauna e caçava na áfrica, quando eu vi a notícia me deu um insight e falei “Vou escrever um livro sobre a fábula”, que vai ser lançado agora no final de novembro, chamado “O Dia que os Animais Venceram”. Depois desse eu escrevi um livro para adolescentes, sobre a gestação na adolescência, está pronto e estou negociando com a editora.

MS Repórter - Você ministra palestras de incentivo à leitura também. Na sua percepção, as crianças perderam o hábito da leitura?

Rosemari - Na verdades as crianças adoram ler. No último evento que eu fui convidada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), no Jardim Colúmbia, é impressionante o fascínio das crianças. O que eu vejo é que existe dificuldade de leitura nas escolas municipais porque o aluno da escola particular tem outro poder aquisitivo e é mais estimulado. Eu percebi nas crianças de oito anos, que a grande maioria não sabia ler, não é que elas não gostem ou não queiram, elas amam de paixão as histórias, os olhinhos brilham. Há uma grande dificuldade de leitura, a escola pode estar com problemas, esses nossos métodos de passar através de etapas.

Às vezes as crianças são promovidas e às vezes não venceram a primeira etapa, mas tudo isso depende da faixa etária, da classe social, do poder aquisitivo. Na minha família todos lêem, a minha neta que tem oito anos lê sem dificuldade.

Meu neto de 13 anos não lê muito, mas também tem pouca produção literária para adolescente. É muito mais para o lado da fantasia, o livro mágico. Na área infantil eu tenho dois publicados, um que já está pronto na editora e um quarto que eu estou negociando.

MS Repórter - Por você já ser formada e ter atuado com psicologia, isso ajudou na abordagem de temas para livros?

Rosemari - Ajuda muito. Eu trabalhei como psicoterapeuta, eu fiquei de 1988 até 2013 [não estou atuando mais, até dois meses atrás eu atendia] exclusivamente para mulheres. Isso da uma riqueza de conhecimento do ser humano que é fabulosa para produção literária, as pessoas eu não tem hábito de ler tem uma certa dificuldade com meu livro porque ele é muito subjetivo, é a personagem contando, nesse meu livro “Morte, Vida e Sonhos” as duas personagens tem 60 anos.

O Presidente da União Brasileira de Escritores de MS, Samuel Medeiros, perguntou “Por que mulheres de 60 anos? Porque é minha faixa etária” e as mulheres de meia idade estão fazendo uma releitura da vida. A partir de uma idade o ser humano faz uma releitura, o que que ele espera, o que fez errado e faria de novo. Então essa reflexão que poderia ser uma crise de meia idade ou existencial torna o ser humano mais interessante. Ele fica mais introspectivo e vai promover mudanças na vida dele e nesse livro a partir da morte de dois personagens toda família muda, ou porque a mulher fica sozinha e tem mais autonomia ou porque ela tem acesso ao dinheiro e pode fazer coisas, o dinheiro também é um fator importante para conquista da liberdade.

MS Repórter - Nos seus livros você procura colocar as suas características, um pouco do seu pensamento?

Rosemari - Tudo que a gente faz tem uma característica nossa, eu vou pintar um quadro [que eu pinto alguns] tem uma característica porque eu escolhi um quadro como aquele que está na frente? [aponta para um quadro da sala] porque eu gosto de um quadro rebuscado, eu não gosto de moderno. O conhecimento da subjetividade feminina, o conhecimento das relações home-mulher ou mãe e filha, tudo ajuda na composição do livro.

MS Repórter - Os seus dois primeiros livros foram para o mundo com a Semana do Livro de Paris, como foi a experiência?

Rosemari – Foi e eu nem fiquei sabendo. O Valter Jerônimo, da Editora Life, disse que houve uma seleção em Paris e eles foram exposto lá. Não tenho nem ideia como essa editora conseguiu colocar os meus livros lá. Agora parece que ele tem uma sede em Nova York, tem sede em Campo Grande. Nós não fomos lá, algumas pessoas do Brasil foram.

MS Repórter - Com o livro “As Crianças e a Renovação da Terra” você desenvolveu um trabalho com a Sociedade Educacional Juliano Varela?

Rosemari - Eu fiz o lançamento lá na Julinao Varela, fiz doação dos exemplares que foram vendidos no colégio, nesse próximo lançamento eu to acertando que a banda da Juliano Varela faça a apresentação durante o evento.

MS Repórter - Nós estamos vendo muitos casos de violência nas escolas e recentemente resultou em morte, você acha que a informação ou livros na escola pode mudar algo?

Rosemari - O grande problema da sociedade hoje é desestruturação da família, essa desestruturação reflete na escola. É muito raro a família tradicional [pai, mãe e filho], na maioria das vezes nós vemos um mãe sozinha educando os filhos e também trabalhando muito. O livro ajuda a refletir, está sendo lançado um livro maravilhoso da Ariadne Cantú sobre a adolescência e a violência, lançado pela editora alvorada no Museu de Arte Contemporânea (MARCO), o livro “Mãos ao Alto! Passa o Boné!” está fabuloso, eu vi. Aborda justamente a violência e é baseado em uma história real. Se as famílias tivessem o hábito de ler a noite ajudaria na educação das crianças, se a criança tivesse um livro nas mãos, se a escola fizesse roda de leitura tudo isso seria muito bom.

“As Crianças e a Renovação da Terra” teve uma tiragem de mil exemplares com a verba do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), se você olhar no verso tem um logotipo, esse livros são patrocinados. A gente recebe uma verba e toda ela é revertida no livro, nesse livro a verba foi exclusivamente para o livro. Eu vendi pourquíssimos exemplares, doei para abrigos, igrejas evangélicas, escolas, centro espírita e todos que tiveram interesse.

Eu fui fazer uma palestra na Igreja Perpétuo Socorro e levei o livro, não sabia o número de crianças, e é muito trsite quando uma crinaça não consegue receber o livro. Elas formaram fila, foi uma graçinha e todas queriam autógrafo e uma me disse assim com o caderninho “Eu não recebi seu livro, mas faz uma lembrança pra mim , escreve no meu caderno o nome”. Então eu entendi que para trabalhar com crianças ou eu levo muito ou eu não levo. Para trabalhar com com criança existe um diferencial e para trabalhar com Síndrome de Down mais ainda, o que você faz pra um, todos querem. Eles têm muito essa noção de grupo.

MS Repórter - Você também desenvolve trabalhos sociais, como acontece?

Rosemari - Eu faço trabalhos em um abrigo e dentro do projeto “Fazendo Minha História” (http://www.fazendohistoria.org.br/), é um projeto desenvolvido por uma psicóloga e está a nível nacional, todas pessoas podem ter acesso na internet. Os adultos que quiserem ter acesso para divulgar trablhos está disponível, aqui foi feito pela Secretaria da Justiça, Vara da Infância e da Juventude, o trabalho é voluntário e através da rafia maravilhosa e a gente começa a interagir com a criança tendo o livro, os livros abordam o medo, o sonho, diversos temas para a criança se identificar e falar sobre o assunto.

O objetivo principal é agente confeccionar uma álbum para dar uma identidade para a criança, aquele álbum que a mãe faz a primeira papinha, nome do vovô e da vovó. A criança do abrigo às vezes chega recém-nascida e não tem noção. Tem trabalho com bebê e jovens. Existem passos para seguir.

MS Repórter - O que você procura abordar nas palestras? É especificamente para crianças?

Rosemari - São os livros, nesse meu contato com criança eu conto a história, é chamado mediação de histórias. Essas últimas que eu fiz foi para crianças, já fui nas escola desenvolver trabalhos com professores e também com mães, nessa constatei que pouquíssimas mães vão até escola, na grande maioria elas eram a voz que estavam recebendo pelos filhos.

MS Repórter - Para encerrar, e o prazo para lançamento dos novos livros?

Rosemari – “O Dia que os Animais Venceram” vai ser lançado agora e tenho dois romances que estão nos revisores. Eu estou negociando o Teatro Aracy Balabanian para o lançamento, eu tenho que estar primeiro com as edições, vou distribuir também 60 vales livros para eles fazerem o sorteio, vale um livro infantil. Como eu disse eu não tenho interesse em vender livro infantil, meu foco é com adulto. Final de novembro ou começo de dezembro saí o livro exclusivamente para crianças.

Por: Ana Paula Duarte

Foto: Leide Laura Meneses/ MS Repórter
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