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26/07/2017

Aposta na música autoral, Banda Chá Noise fala da mistura do som e da paixão por Campo Grande

segunda, 10 de fevereiro de 2014
Não é de hoje que a cena musical autoral em Campo Grande tem se mostrado incensurável. E foi nessa onda que a banda Chá Noise surgiu, através da vontade de se fazer música pop e dançante sem deixar de lado a qualidade e profundidade das letras, que descrevem relações e intimidades. Sem preconceitos e com muita atitude, explora do brega ao hip hop, fazendo um som com a pretensão elevar o espírito positivo, fazer cantar e dançar.

Adrian Okumoto, Anédio Japão, Gleyton Berbet, Jorge Jungle e Xáras Gabriel lançaram em 2013 “Aglomerado de Ervas”, uma compilação de cinco músicas entremeadas por depoimentos deles que ajudam a contextualizar pequenos elementos do próprio som ou das letras.

O site MS Repórter entrevistou o cantor e compositor Xáras Gabriel e Adrian Okumoto, baixista e ex-integrante da banda Curimba. Entre as músicas lançadas está “Swing Boom Boom da Morena” em homenagem a cidade que eles acolheram de coração. “Nós não temos barreiras, queremos sair de Campo Grande, mas isso não exclui sair daqui. Para nós já foi uma incógnita trabalhar aqui, mas eu vejo que vale a pena. Quando nós cansarmos da cidade caímos em Bonito e tomamos um banho nas águas mais bonitas do mundo. Nós como artistas e músicos somos responsáveis por fazer eles pensarem e valorizar”, disse Adrian.

Eles ainda falam de como foi o começo da banda e da experiência de abrir o show do Marcelo D2. Confira abaixo a entrevista e conheça um pouco do estilo da banda Chá Noise:

 MS Repórter - Há quanto tempo a banda existe?

Xáras - Há uns três anos. Todo mundo tem uma história na música, já participamos de alguns grupos. Estamos na música há dez anos. O Chá Noise ficou dois anos produzindo músicas antes de aparecer em público e agora vai fazer pouco mais de um ano que a gente está se apresentando.

MS Repórter - Vejo que divulgam muito sobre a influência do som de vocês, mas não falam qual é o estilo. Vocês já têm um estilo definido?

Xáras – É difícil titular esse trabalho porque o Chá Noise tem muito de mistura e influência da Black Music, que é som de negão mesmo, Reggae, Soul e Jazz.

Adrian – Essa coisa de definir sempre cai para nós e eu vejo que não é só a gente, as músicas que estão vindo cada vez mais misturadas e tendem a evoluir, a evolução é a mistura. O Xáras tem bastante influência do Rap e do Reggae, eu tenho de Pop e MPB, o Japão gosta de Hip Hop. Então se é pra definir, é som pra balançar tanto por dentro como por fora.

Xáras – A maioria das músicas da banda são minhas e o restante em parcerias, a gente está sempre focado em passar nossa vivência. Não adianta colocar “menina bonita” porque se a menina não for bonita não compensa. Tem que ter verdade!

Adrian – Eu vejo que o Xáras tem, que é da influência do Reagge dele, são as letras bem positivas, para encorajar e tem um lado espiritual. Nós temos preocupação em ser positivo nas músicas, de somar para quem ouve. O começo do Chá Noise foi eu e o Xáras, a gente tava em uma balada eletrônica e a gente viu toda galera dançando e ouvimos umas frases em inglês e ninguém entendia nada, aí falei a gente tem que fazer um som assim só que com uma mensagem boa. Se a música tem balanço, as pessoas já ouvem, imagina se agente coloca uma letra relevante.

MS Repórter - A produção do minidocumentário “ Aglomerado de Ervas” publicado no Youtube aparenta ter uma boa produção. Foi produção independente mesmo?

Adrian- Foi nós que fizemos contando com as parcerias. É independente porque não tem ajuda de gravadora, não tem nenhum grande investidor. Nós dependemos da parceria de todo mundo que acreditou no projeto. Foi uma equipe de trinta pessoas.

Gastamos mais ou menos do nosso bolso, quase 80% do nosso cachê foi para pagar essas coisas. Foi uma produção independente, mas não menos profissional. Eu mexo com vídeo mais tempo do que com música, minha caminhada de vídeo também refletiu nele.

Xáras – As pessoas foram para chácara com intuito de fazer uma coisa boa, não só para trabalhar.

MS Repórter - Por que o nome “ Aglomerado de Ervas” ?

Adrian –Institivamente tem a ver com o nome da banda, Chá Noise, tem um chá no meio e se tem chá tem erva, isso não é literal. Erva é uma junção de várias coisas naturais, podem ser tudo, pode ser cada integrante. O interessante é não formatar muito a ideia, o nome já é poético.

MS Repórter - Vocês gravaram em uma chácara. Costumam frequentar e ter contato com a natureza?

Xáras – Tem tudo isso também, tereré e chás. Nós costumamos falar que Campo Grande é meio mato e meio asfalto porque sai um pouquinho da cidade e já vê chácara, o Parque dos Poderes no meio da cidade. Esse lance metrópole, capital e interior. Nós resolvemos abraçar isso ao invés de ser só isso, é o meio, por isso é Chá Noise, orgânico e digital. É a cidade e o mato.

Adrian – Nós somos o centro do Brasil também, é o coração do Centro-Oeste. Até por que Campo Grande não tem uma festa típica, o nosso sobá é misturado com japoneses e tereré dos pantaneiros. A nossa cultura é uma mistura e não algo consistente.

Xáras - Querendo ou não nós vivemos a natureza, mas precisamos da cidade, do caos urbano. Já moramos em São Paulo também, que é mais cinza, conhecemos altas bandas lá, eu vejo que aqui tem tudo isso. São Paulo tem o Ibirapuera tudo bonitinho, mas você não pisa na grama ou pula no lago.

Adrian - Esse disco “O Flow do Gurizinho" é mais para o lado Urbano porque fala das relações humanas, das coisas que acontecem no cotidiano.

MS Repórter - Com o Facebook vocês já têm um público fixo?

Xáras – Na verdade nós estamos começando a ter público agora porque no final do ano passado o Chá Noise fez umas misturas para ver qual é a da galera. Nós fizemos show no Lendas que é um público mais Pub e Jazz, tocamos também no Birô Brasileiro, que é uma casa de samba. Nós estamos tentando ver qual é a galera que identifica com o nosso som e muito disso faz com que se adapta a vários tipos de eventos. Eu vejo que a galera que mais está curtindo nosso som é aquela que curte música autoral.

Adrian – Uma coisa que eu sinto, por a gente usar uma sonoridade Pop não queremos atingir um público específico, e sim o máximos de pessoas que vão se sentir bem com nossa música. Está crescendo o tipo de público, eu costumo dizer que desde o carinha que encostamos o carro próximo gostou até a elite, galera do sertanejo. Não queremos preconceito.

MS Repórter - E vocês acham que o público aqui em Campo Grande está aberto para conhecer outros estilos musicais além do sertanejo?

Xáras – É remar contra maré, só que eu vejo que nós estamos fazendo nosso som, por ser um cd musical tem caras bons, no Rock, no Rap e no Sertanejo. Acho que por ser autoral é mais difícil, as pessoas dão credibilidade por ser difícil mesmo.

Adrian –Nós somos ainda uma minoria comparado com o sertanejo que estoura e ganha muito dinheiro. É difícil comparado aos outros mercados que dão muito bem, mas é fácil porque nós gostamos de fazer, sempre gostamos. É suado, não é difícil.

Xáras – Para nós como movimentadores de arte eu vejo que o reconhecimento é difícil. Quando nós falamos de um evento estamos contando com 3 mil pessoas no máximo, nós estamos em uma cidade grande. No sertanejo, o evento pode ter 50 mil para ver.

Adrian – Ao mesmo tempo sentimos um estímulo e sentimos que tem muita coisa para acontecer, nós costumamos dizer que os passos são lentos e o crescimento é pesado. Cada hora tem um progresso, a nossa fanpage está aumentando sem nenhuma “gambiarra”, as músicas nas rádios, o destaque no Palco MP3, maior site de banda do Brasil.

MS Repórter - Quando vocês abriram o show do Marcelo D2 no último MS Canta Brasil, no final de 2013, ajudou a dar um salto na carreira também?

Xáras – Foi um dos maiores públicos, mas foi tudo degrauzinho por degrauzinho. Não teve esse contado direto “ Vem abrir o MS!”. Por isso que é mais difícil porque se vem um empresário do sertanejo em Campo Grande e pega um atalho, sai da bicicleta e vai de avião.

MS Repórter - E como anda os planos, novas músicas? Pretendem sair de Campo Grande?

Xáras – Nós queremos distribuir cds agora, trabalhar com esse disco, não queremos parar. Se for possível fazer a turnê e continuar produzindo. Não adianta colocar as músicas novas se as pessoas não absorveram as velhas.

Hoje nós temos a possibilidade de colocar no Youtube com aquela legenda e colocar em todas as linguas, já vimos que estão assistindo no mundo inteiro, no Uruguai, Japão e tem até países desconhecidos.

Adrian – Nós não temos barreiras, nós queremos sair de Campo Grande, mas isso não exclui sair daqui. Para nós ja foi uma incógnita trabalhar aqui, mas eu vejo que vale a pena. Quando a gente cansar da cidade caímos em Bonito e tomamos um banho nas águas mais bonitas do mundo. Nós como artistas e músicos somos responsáveis por fazer eles pensarem e valorizarem. Eu vejo que a maioria quer sair daqui. Dá para trabalhar em todos os lugares e morar aqui através da internet.

O CD da banda pode ser baixado aqui e o minidocumentário está no Youtube.

Por Ana Paula Duarte

Fotos: Gabriel Olímpio - MS Repórter/Divulgação
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